CARMELO, CHARME E TRANQUILIDADE NO URUGUAY

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Após dois dias em Montevideo, pegamos o carro e partimos em direção ao oeste, mais precisamente à cidade de Carmelo. Ao longo do caminho, vamos vendo as paisagens mudando, pra dar lugar a algo mais rural, com muitas pastagens e rolos de feno.

Chegamos a Carmelo no início da tarde e fomos direto pra Pousada Campotinto, onde nos hospedaríamos. A pousada é muito aconchegante, com charme em cada detalhe; e fica em meio a plantações de uva, pois agrega uma bodega.

Chegamos, deixamos as malas, almoçamos deliciosamente no restaurante da pousada (com pratos maravilhosos, especialmente as massas)… e já estávamos pegando as bicicletas (a pousada as tem pra empréstimo, gratuito, aos hóspedes) e indo passear em meio ao parreiral, que estava em início de frutificação…

Restaurante da Posada Campotinto

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O parreiral da Campotinto

Saímos um pouco da área da pousada e fomos pedalar pelas estradas da região… estradas de terra, em meio a pastagens, parreirais… fomos até a Capilla San Roque, que estava fechada (só abre em dias de missa e durante a festa do santo que lhe dá o nome), construída no final do Século XIX.

Voltamos pra área da pousada e fomos conhecer a vinícola, aprendendo sobre os processos de produção de vinho; no Uruguay, de uma uva especialmente adaptada à região: a tannat, considerada patrimônio nacional.

Bodega Campotinto

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Depois, acompanhamos o pôr do sol em meio ao parreiral… muitas e lindas fotos!

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Jantamos (claro!) na própria pousada.

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Acordamos e, após o delicioso café da manhã, preparado com produtos da própria pousada (iogurte, “medialunas”… nhãmi, nhãmi…), voltamos à Capilla San Roque pra umas fotos; à tarde, é contraluz…

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Capilla San Roque

Depois, pegamos as estradinhas de terra, pra tentar encontrar as ruínas da Estancia Narbona. No caminho, uma parada no Arroyo Las Víboras, na Puente Castells (ou Puente Camacho). Inaugurada em 1858, é a ponte mais antiga do Uruguay ainda em uso e foi o primeiro pedágio do país.

Seguindo estrada, pouco depois da ponte, há uma indicação para entrada à direita. Um pouco mais de estrada de chão e chegamos.

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Fomos recebidos por Doña Maria, que mora numa casa ao lado das ruínas e, com um sorriso no rosto, sempre muito falante, nos leva a conhecer as ruínas.

A Estancia e Capilla Narbona foram construídas lá pelos anos de 1730 (é uma das construções mais antigas do país), quando o aragonês Don Juan de Narbona, mercador, mecenas e traficante de escravos, adquiriu terras na região, e, erguendo a estância, passou a explorar a pedra caliça, com fins, inclusive, de exportação para suas obras em Buenos Ayres. Encerrado o interesse na exploração, numa região de muitos conflitos, a propriedade foi abandonada, passando às mãos do Estado uruguaio em 1951.

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O local está bastante abandonado, em ruínas mesmo. Há uma placa do governo, anunciando o tombamento (o local foi declarado patrimônio Histórico Nacional em 1975), e umas poucas obras de restauração. A capilla, a grande estrela do lugar, está fechada, por falta de condições de visitação. Uma pena! No que pode ser visitado, Doña Maria nos conta muitas histórias, inclusive que o governo do Uruguay lhe deve uma fortuna, pelas férias que não pôde (e não pode) tirar, por décadas a fio (a história de Doña Maria está melhor contada em reportagem do El Observador).

Doña Maria não aceita pagamento; acompanha os visitantes, um pouco por gosto, um pouco por sentir-se no dever de funcionária do governo. Cremos mesmo que tem verdadeiro amor por aquele lugar, onde nasceu em 1938. Hoje conta com quase oitenta anos e cuida de tudo sozinha (nos últimos tempos, um sobrinho foi viver com ela).

Do lado de fora das ruínas, muitas árvores, cheinhas de passarinhos, que Doña Maria alimenta com o mesmo carinho com que cuida das ruínas.

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Foram momentos muito interessantes e que renderam muitas fotos.

As ruínas estão abertas à visitação todos os dias, no horário das 9h a 17h, exceto segunda e sexta-feira (assim está na placa de entrada), quando Doña Maria vai à cidade de Carmelo.

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Depois de toda essa história, fomos conhecer a cidade de Carmelo. Lá, passeamos bastante pela Rambla de Los Constituyentes do Arroyo Juan Gonzalez Grande (ou Arroyo Las Vacas), admirando El Puente Giratório. Inaugurada em 1912, é considerada a primeira ponte giratória da América do Sul, com mecanismo movido por tração humana.

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Rambla de Los Constituyentes
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Puente Giratório

A fome chegou. Fomos para as Empanadas Carmelitas, tradição deliciosa de Carmelo. De sobremesa, sorvete na Heladería Azul… delícia!

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Voltando ao passeio, fomos conhecer a Playa Seré, com uma bonita rambla, áreas de camping e caminhadas… mesmo sendo dia de semana, muitas pessoas desfrutavam a área, de areia branquinha e banho tranquilo de rio.

Saindo de lá, uma passada, ainda, nas Canteras del Cerro, que são crateras abandonadas, de extração de granito, que o tempo encheu de água, formando verdadeiros lagos…

Voltamos, então, pra pousada. Pegamos novamente as bicicletas e fomos conhecer o Almacén de la Capilla, misto de armazém e vinícola, vizinho à Campotinto.

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Almacén de La Capilla

Depois, mais passeio de bicicleta, pôr do sol e jantarzinho gostoso, na própria pousada.

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No passeio de bicicleta
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Restaurante da Campotinto, no entardecer…

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Nessa noite, durante o jantar, ótimas conversas e comentários com a atendente do restaurante, Carolina, uruguaia, descendente de baianos e gaúchos, que é a única mulher negra de Carmelo, disputada pelos grupos de candombe da cidade, uma dança de origem afro. Ela, com uma simpatia ímpar, nos ensinou uma diferença “essencial” entre uruguaios, especialmente de Montevideo, e argentinos: os primeiros levam a garrafa térmica com água para o mate, pra onde quer que vão; os argentinos não andam com garrafas térmicas nas ruas… interessante… e constatamos isso por toda parte.

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Deixando Carmelo, no dia seguinte, a caminho de Colonia del Sacramento, um desvio pra visitar a Callera de Las Huérfanas, originária da Estancia del Río de las Vacas, administrada pela Compañía de Jesús (jesuitas), que teve importante influência na região, durante os séculos XVI e XVII. O nome Calera, vem do fato de que lá era produzida cal para construção, mediante a utilização de dois grandes fornos e a denominação “de las huérfanas” é devida ao fato de que a produção do estabelecimento era destinada a manter o Colegio de Niñas Huérfanas de Buenos Aires.

Ruínas da igreja e forno de cal

Um ponto interessante do lugar, cuja estrutura está um pouco de pé, é a igreja, cujo altar é integrado à parede; um exemplo raro, pois que a maioria dos altares é apartado, construído em madeira ou mármore.

Hoje, é um lugar de histórico e turístico (embora um tanto abandonado e sem estrutura), com uns poucos trabalhos de recuperação. A despeito das poucas condições, o lugar é muito bonito, com bastante verde… rende boas fotos e é, também, povoado por pássaros…

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Carmelo é muito pouco conhecida no Brasil… em verdade, nenhuma das pessoas que conhecemos e que foi ao Uruguay disse ter ido lá. Uma pena! É um local charmoso, acolhedor, principalmente se pensarmos nas hospedagens nas vinícolas, fora da cidade, além de ter muita história e muita praia pra mostrar… Vale incluir no roteiro!

 

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* Este não é um post patrocinado. O espírito do blog é de narrar histórias e experiências, de forma que esse escrito reflete unicamente a opinião dos autores.

**Viagem realizada em novembro/dezembro de 2017.

 

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