AS VIAGENS DA VIDA: CORAGEM, COLOMBO E AS TARTARUGUINHAS…

Praia do Patacho – Alagoas,
um bom lugar pra se lançar ao mar…

Coragem. Medo. Sentimentos antagônicos? Ou complementares? Ambos, parte de todos(as) nós.
É curioso espiar como o que desperta medo em alguém, não o faz em outra pessoa.
São sentimentos personalíssimos. Praticantes de esportes radicais que o digam. Já pensou em saltar de bungee jump?

Gostamos de viajar pra lugares, digamos, “menos óbvios”, de nos dispor a descobrir o mundo… talvez por isso seja comum que nos perguntem: “vocês não tem medo?”. Medo de andar de transporte público? E em uma cidade nova? Medo de dormir com a porta aberta, numa casa na praia? Medo de estar em uma hospedagem rural, a 30km da cidade mais próxima? Medo de fazer trilha sozinhos? Medo de mergulhar? Medo de andar de canoa? Medo de se perder?
Medo. Medo. Coragem.
O que demanda coragem?
Colombo é um personagem controverso. Controvérsias à parte, ele empreendeu uma trajetória de coragem… Quando, em agosto de 1542, içou velas para iniciar viagem a caminho das “Índias”, ele se baseava (apenas) na ideia de que a Terra tinha uma forma esférica (até então, acreditava-se que a Terra fosse achatada, como um prato, e quem navegasse para muito longe, no oceano, acabaria caindo pela borda… alô terraplanistas!…).
Mas, Colombo estava convencido de que poderia chegar ao Oriente viajando para oeste…
E só.
Ainda não existiam satélites… GPS… os meios de comunicação eram precários, nada da tecnologia tão comum nos dias de hoje… Ele não fazia ideia da distância e do tempo que precisaria para chegar ao “Oriente”. Nem de quanto de água precisaria, e de comida, durante a viagem. Nem o que poderia encontrar no caminho. Lembremos que ele não tinha a opção da “terra à vista”, para ancorar em caso de algum perrengue, como o tinham os que contornavam a África para chegar ao oriente…
E, ainda assim, içou velas e lançou-se oceano adentro, nas frágeis e precárias embarcações da época, e chegou ao “novo mundo”.
Controvérsias à parte, mais uma vez, o que Colombo e seus marinheiros fizeram foi coragem!…
E as tartaruguinhas?
Depois de meses embaixo da terra, os ovos eclodem e as tartaruguinhas, recém-nascidas, rumam pra o mar…
É uma viagem instintiva. Começa ali uma trajetória longa, cheia de desafios e impossível de prever como se desenvolverá. O mar tem inúmeras surpresas, que podem tirar a vida das pequenas tartarugas. Das milhares que nascem, poucas sobrevivem. E a natureza segue seu curso.
Mas elas vão. Sem ideia do que vão encontrar, do que podem sentir falta, dos aperreios que podem viver. Nem do que podem encontrar no caminho. São filhotinhos pequenos, frágeis, mas que se lançam ao mar, com coragem.
O que as tartaruguinhas fazem é coragem!
Colombo e as tartaruguinhas “içaram velas” e lançaram-se… com coragem! Medo foi um sentimento que não teve espaço na grandeza do mar e do impulso a seguir viagem… a viagem da vida…
Que mares, então, temos medo de navegar? Por que não nos lançamos com coragem? Que viagens tememos fazer?
A vida pede coragem. Talvez não a de Colombo e das tartaruguinhas… Pede que deixemos o medo de lado, icemos velas e nos lancemos ao mar… nos permitamos viajar as viagens de nossa existência, com coragem… e, se der medo, vai com medo mesmo!

Praia do Patacho, Alagoas

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