Surpresas boas pertinho de Piranhas-AL

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Rio São Francisco (#PraCegoVer: Fotografia de paisagem. Na parte superior, céu azul com nuvens brancas esparsadas. No meio da foto, as encostas de pedra de colinas recobertas de vegetação verde-escura que margeiam o Rio São Francisco. Na parte inferior, o Velho Chico que corre tranquilo por entre algumas rochas existentes no seu curso. No canto inferior esquerdo, a inscrição “Porque Somos do Mundo” na cor branca. Fim da descrição).

Aqui estamos pra segunda parte. Nem demorou, não é mesmo? Então… basicamente, vamos contar neste post um pouco das experiências que tivemos em dois lugares que ficam pertinho de Piranhas: Reserva Ecológica do Castanho (que lugar massa!) e Eco Parque Angicos (trazer impressões sobre a história de Lampião e seu bando de cangaceiros). Aceita o convite? Se sim, por favor acomode-se confortavelmente que a história vai continuar!…

Desbravando os arredores…

Bem… o planejado era fazer um passeio de barco ou catamarã pelo Velho Chico, até o Eco Parque Angicos. Mas, quem disse que tudo dá certo em viagens? Não é bem assim… lembre-se, sempre: algo vai dar errado numa viagem. Ponto. Estejamos apenas maleáveis e com a tecla de resignação em stand by (rsrs), para eventuais alternativas de roteiro, e poderemos ter belas surpresas. Pois bem… acordamos um pouco tarde e o catamarã das 9h já tinha saído… e agora? Ir de barco rápido custava o dobro do preço. Neste post há mais detalhes sobre esses deslocamentos pelo rio… já, já você saberá como funciona isso.

Ocorre que o calor tava insuportável (uns 38 a 40ºC). Andar e fotografar a cidade sob aquele sol inclemente não estava nos nossos planos… resolvemos ir ao Castanho, antecipando o roteiro previsto para o dia seguinte. Sábia decisão.

Sabe a cerejinha do bolo? Anote aí: Reserva Ecológica do Castanho. Ela é uma propriedade privada e fica a cerca de 40 Km de Piranhas, já no município alagoano de Delmiro Gouveia (povoado Olho D’Água do Casado). Mas, tem que vencer 17 Km de estrada de chão, acessível com carro de passeio. É só ficar atento na rodovia (saindo de Piranhas, sentido Delmiro Gouveia), pois assim que passar da entrada de Olho D’Água do Casado, o acesso fica à esquerda, tudo bem sinalizado. Alternativamente, pode-se contatar o Castanho para eles fazerem o traslado de barco, a partir de Olho D’Água, a apenas 3 Km da rodovia… menos sacrificante e mais custoso ($$$).

Caminho para o Castanho

O caminho pra lá dá o tom: a paisagem é árida, espinhosa… e era de se esperar. Eles declaram ser a maior área particular de caatinga preservada no Estado de Alagoas, o que parece ser a mais pura verdade; há 80 anos sob os cuidados de uma única família. Os cactus que vemos da estrada são enormes e pra lá de belos. A estrada vai afunilando, até que o Velho Chico surge, majestoso. Que paisagem! Mais um pouco e chega-se ao estacionamento.

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Rio São Francisco, à beira da estrada.

O Restaurante Castanho fica bem à beira do rio, e tem capacidade para receber muita gente. E as pessoas normalmente chegam de barco ou jet ski, esticam-se nas redes, tomam banho no rio, apreciam a natureza. De lá, saem passeios de barco e catamarã para os Cânions do São Francisco e para o Vale dos Mestres, atrativos imperdíveis para quem quer conhecer essas maravilhas da natureza, bem pertinho dali. De barco rápido, o passeio para qualquer desses destinos custa 300 reais (total para quatro pessoas). Como já fomos aos Cânions noutra ocasião, optamos por curtir a área do Castanho, almoçar devagarinho, fotografar, aproveitar o banho no Velho Chico.

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Reserva Ecológica e Restaurante Castanho

A Reserva está às voltas para abrir uma pequena pousada, ao lado do restaurante, e já ficamos ansiosos pela possibilidade de retorno, e ficar uns dias por lá. O lugar é realmente aconchegante. A comida, um capítulo à parte… aquela tilápia na rapadura estava uma perdição… o que era aquilo, minha gente? (rsrs) Deviam canonizar aquela cozinheira.

Voltamos no final da tarde, apreciando um lindo pôr do sol na rodovia, na entrada de Piranhas. Pra finalizar o dia de passeios, antes de ir ao hotel, uma esticadinha ao nosso vizinho famoso, o Mirante Secular, para ver as luzes da cidadezinha lá embaixo, a partir do Restaurante Flor de Cactus… outra bela vista nesse dia inusitado, a qual rendeu imagens lindas.

Pôr do sol visto da rodovia, perto de Piranhas
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Vista da cidade e da escadaria iluminadas, a partir do Mirante Secular

Navegando…

Agora sim. No dia seguinte, horário ajustado, café da manhã mais cedo, fomos pegar nosso catamarã às 9h, rumo ao Eco Parque Angicos. Fizemos o possível para evitar contratempos (rsrs). Era dia de navegar rio abaixo, naquelas águas verde-esmeralda do Velho Chico e nas histórias sobre o cangaceiro Lampião e sua trupe.

Os catamarãs, que transportam dezenas de pessoas, saem basicamente para dois destinos, a partir de Piranhas, rio abaixo. Para o Eco Parque Angicos (saídas às 9h) e para o Cangaço Eco Parque (não vimos os horários). O valor por pessoa (a partir de 10 anos) custa 80 reais. Para maiores detalhes, separamos pra vocês uns links bacanas, indicados no final deste post.

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A viagem até Angicos durou pouco mais de 1h. Ao ritmo de um forró gostoso, o catamarã ia serpenteando o rio sob os olhos atentos e experientes do comandante, desviando de pedras gigantes, passando por paredões impressionantes, navegando naquelas águas que já embalaram versos e canções, encantaram tantas almas e também presenciaram muito progresso e lágrimas.

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Há muito queríamos navegar o Velho Chico naquele trajeto do rio. E eis que estávamos nele, desbravando novas paisagens, a conhecer novidades sobre a história do cangaço.

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Eco Parque Angicos

Surge o Eco Parque Angicos, um pequeno complexo de lazer situado na margem sergipana do rio (no Município de Poço Redondo) e que conta com restaurante, gazebos e redes distribuídos numa área gramada, lojinha de artesanato, uma casinha histórica toda de taipa (ligada ao cangaço), tobogãs, mesas na areia da prainha, uma grande área delimitada para banho no rio e a opção de um passeio até a Grota de Angicos, onde Lampião e sua trupe foram executados, nos idos da década de 1930.

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Casa histórica onde morava um amigo de Lampião

A Grota fica a 900 metros dali. O passeio guiado custa 10 reais por pessoa e tem vários horários de saída. A trilha é curta, mas é feita em meio à caatinga, debaixo de um calor abafado, de doer na alma. Em quase todo o percurso, pode-se contar com as sombras das árvores magricelas que compõem aquele bioma impressionante. O caminho, agora aberto às dezenas de turistas que passam diariamente por ali, foi o mesmo usado pela volante (a polícia da época), nos idos de 1938, para chegar ao local onde Lampião e seu bando forram mortos. Impressiona a coragem daqueles caras, que levaram horas para conseguir deslocar com armamento pesado, ladeira acima, à noite, por sobre uma paisagem de espinhos, literalmente. E não havia trilha naquela época (!!)

Trilha para a Grota histórica

A tal Grota de Angicos é um local em meio a grandes pedras, onde o bando de cangaceiros foi pego de surpresa, a tiros e golpes de facão. No local, atualmente, há principalmente homenagens a Lampião. Todos foram degolados e suas cabeças expostas em frente à prefeitura de Piranhas, cidade onde tudo isso foi arquitetado. Daí o envolvimento de Piranhas nesse passado.

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Grota do Angicos e homenagens aos cangaceiros mortos

Essa história, contada com emoção e destreza pelos guias do Eco Parque Angicos e do Cangaço Eco Parque, traz um certo orgulho pela figura de Lampião, dito como um sujeito genial, quando o assunto era estratégia. E era mesmo. Eles relatam que muitos cangaceiros demonstravam uma lealdade incrível, que havia mulheres no bando (que optaram por aquela vida) e combatiam muito fortemente os desmandos dos governantes da época, expunham uma coragem de dar inveja e eram muito solidários com as pessoas mais humildes… uma história diferente, que talvez não interesse ser defendida nem contada com certos detalhes… o povo da região sabe e ainda há gente por lá que esteve bem perto dessa realidade… a história registrou que Lampião puniu alguns de seus homens que tentaram invadir Piranhas, pois que, disse ele, não se fazia aquilo com um lugar que era protegido por Nossa Senhora da Saúde, que ainda é a padroeira da cidade… um sujeito que elogiou Luis Carlos Prestes, em público, junto às “autoridades” da época… tiremos nossas próprias conclusões. Mais informações, clique neste link.

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Narração das histórias do cangaço pelos guias

Voltamos ao Eco Parque para almoçar, tomar banho de rio, relaxar um pouco, refletir… e navegamos de volta a Piranhas, chegando por volta das 15h, a tempo de tomar um gostoso sorvete de rapadura na Manga Rosa (o melhor de todos os tempos!) e andar pelo centro histórico da cidade, com as câmeras fotográficas bem “nervosas” e curtindo muito, como detalhamos no primeiro post.

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Eco Parque Angicos

Retornando… 

Dia seguinte, antes de pegar estrada pra Aracaju, fomos matar uma curiosidade… por que viajante é tão curioso, hein? Tem que ser, né!? Soubemos de outra hospedagem na cidade, o Hotel Encantos do Velho Chico, localizado num outro morro com vista privilegiadíssima de Piranhas. Na nossa opinião, muito melhor localizado que o Pedra do Sino, pois todos os apartamentos ficam de cara para o Velho Chico e sua área comum de lazer (com piscinas, quiosques, etc) fica de frente para a cidadezinha lá embaixo e para o rio, numa combinação perfeita… e ele fica ainda mais perto do centro histórico, não precisa trafegar por estrada de chão e tinha (na época) um preço menor. É mole? Ah, se a gente tivesse essa informação antes!… Olhem as fotos a seguir! Bem… fica outra dica.

Hotel Encantos do Velho Chico

Voltando pra casa, as paisagens da caatinga continuavam a nos encantar… há muita riqueza ali escondida (as guloseimas que o digam), há muito a desbravar… Inté, sertão!.. Inté mais vê!…

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Paisagens do sertão

Tu me ensina a fazê renda,
Que eu te ensino a namorá.” 


Mais informações:


Link relacionado:
Piranhas-AL: encantos às margens do Velho Chico


* Este não é um post patrocinado. O espírito do blog é de narrar histórias e experiências, de forma que esse escrito reflete unicamente a opinião dos autores.

**Viagem realizada em fevereiro de 2019. Valores informados também correspondem a esse mês.

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