A CHAPADA DAS MESAS E SUAS (MUITAS) ÁGUAS

A Chapada das Mesas tem, segundo nos foi informado, mais de oitenta cachoeiras mapeadas, embora nem todas sejam abertas à visitação.

Mas, mesmo pensando nas que podem ser visitadas, já é uma quantidade imensa! Na nossa viagem, usamos a expressão de que “na Chapada das Mesas, a dieta é de duas a três cachoeiras por dia, pelo menos!”. E sem contar que, para quase todas as que conhecemos, o sistema é de “delivery de viajante”, porque o transporte nos deixa muito pertinho de cada uma delas; às vezes, a apenas alguns metros!

Como se não bastasse essa generosidade de cachoeiras, absolutamente acessíveis, elas ainda tem duas características muito favoráveis: a água não é muito fria e tem, além do banho na queda d’água, poços maravilhosos, de água cristalina…

São, ainda, inúmeros pequenos riachos, formados a partir das nascentes, muitos dos quais também com deliciosos poços para banho… alguns de água mineral, outros com a água formando verdadeiros “ofurôs”, outros ainda parecendo hidromassagem… É opção pra não acabar mais!

A maioria das cachoeiras e nascentes fica em propriedades privadas, com acesso pago. Algumas vezes, a propriedade reúne mais de uma (ou várias) cachoeira(s), e aí surge o que, por lá, costuma ser chamado de “complexo”, com estrutura de restaurante, banheiros e, por vezes, hospedagem.

Para além das cachoeiras e nascentes, a Chapada das Mesas nos oferece as paisagens deslumbrantes das suas formações rochosas, como o Morro do Chapéu e o Portal da Chapada. Só pra lembrar, a Chapada das Mesas tem esse nome em razão de possuir morros de grande altura, que tiveram suas superfícies planificadas pela erosão, a maioria deles lembrando o formato de mesas.

A seguir, vamos trazer um pouco dessas delícias que a Chapada das Mesas nos oferta, apresentando na ordem em que conhecemos… Vamos juntos?!

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No primeiro dia de passeios, fomos ao Complexo Turístico Santa Bárbara, no município de Riachão, vizinho a Carolina, cerca de 115 Km de asfalto, mais 21 Km de estrada de terra. Formamos um grupo com outros três viajantes vindos de São Paulo. O guia foi Wellington, da Cia do Cerrado.

O tour começou por uma das mais famosas atrações da Chapada das Mesas, o Encanto Azul, uma piscina natural, em meio às rochas, cuja água transparente adquire uma tonalidade azulada com a incidência da luz. A atração não faz parte do Complexo (é paga em separado) e a ela se chega após mais uns 5 ou 6 km de estrada (de areia fofa!) e uma trilha de cerca de 500 metros, incluindo um trecho em um pequeno cânion. A caminhada é tranquila, sombreada na parte do cânion e com sol no restante, com partes em passarela de madeira. No trecho do cânion, passamos pelo Riacho Cristal, que, com seu leito de areia, forma o Poço Cristal, de águas transparentes.

Passarelas de madeira
Poço Cristal
Encanto Azul

E aqui cabe um comentário, sobre uma condição especial que vivemos na nossa visita à Chapada das Mesas: chegamos a Carolina no dia anterior à nossa visita ao Complexo Santa Bárbara. E chegamos debaixo de chuva torrencial, com direito a raios e trovoadas. Chuva o dia inteiro; e a noite inteira também. Saímos, na manhã seguinte, ainda sob céu nublado… durante o dia, as nuvens foram dissipando e acabamos tendo um dia lindo!

Mas a chuva deixou suas consequências. E a primeira que vimos foi no Encanto Azul. Muito embora ele seja uma piscina formada essencialmente por águas que brotam das rochas, há também entrada de água que vem da superfície. O resultado foi que o Encanto que se mostrou pra nós não foi exatamente aquele visto nas fotos “da internet”. A água não estava tão transparente e nem tão azul. Mas estava lindo mesmo assim!

Tivemos bastante tempo para tomar banho, apreciar a beleza do lugar e tirar muitas fotos… Uma curiosidade, é que a água é repleta de peixinhos, que ficam “beliscando” a nossa pele, quando estamos parados. Equipamento de snorkeling pode ser útil para ver os peixinhos…

É necessário comentar também que, quando chegamos, o Encanto estava “lotado” de gente. A vontade foi de ir embora. Mas, como estávamos com um pequeno grupo da agência de turismo, pudemos ficar um pouco mais e apreciar o lugar de forma mais tranquila. Não sabemos como é feito o controle de acesso (se é que existe algum), mas essa gerência que o guia fez conosco, esperando o grupo ir, foi fundamental.

Depois de aproveitarmos bem o lugar, voltamos para a sede do Complexo, para o almoço; que, em finais de semana, funciona no sistema de buffet com balança (não lembramos o valor).

Um descanso breve após o almoço e estávamos prontos para conhecer o Complexo Santa Bárbara. O Complexo tem estrutura de apoio, com banheiros e vestiários. O acesso às cachoeiras é feito por passarelas de madeira.

São diversas cachoeiras, umas maiores, outras menores: a do Morenno, de Santa Luzia, de Santa Paula, do Moreno e, a maior de todas e que dá nome ao complexo, de Santa Bárbara. Em todas elas é possível tomar banho, ao menos no poço. A de Santa Bárbara, por exemplo, tem uma queda tão forte (76 m de altura) que o banho é praticamente impossível.

Cachoeira de Santa Paula
Cachoeira de Santa Luzia

Próximo à Cachoeira de Santa Bárbara, está a gruta de mesmo nome, a que se tem acesso por uma ponte pênsil. A gruta em si não tem grande beleza; mas rende boas fotos de sua entrada, especialmente com o spray da cachoeira.

Cachoeira de Santa Bárbara
Gruta de Santa Bárbara

A grande atração do Complexo, e a mais famosa da Chapada das Mesas, é o Poço Azul. Diferentemente do Encanto Azul, ele é alimentado por água corrente. Por conta disso, com as chuvas do dia e da noite anterior, as suas águas estavam de cor bege, literalmente. Irreconhecível, se pensarmos nas fotos que são divulgadas na internet e nas que nos mostrou o segurança do local.

Até tentamos voltar lá, no último dia de nossa estada em Carolina; mas, o preço cobrado pela agência (R$500,00 por pessoa, para meio dia de passeio, sem o valor das entradas no complexo – o preço regular, para o dia inteiro, incluindo o Encanto Azul, é de R$650,00 por pessoa) e a notícia de que os dias sem chuva não tinham sido suficientes para limpar a água, nos fizeram desistir da ideia.

Voltamos da Chapada das Mesas sem ver, de fato, o Poço Azul. Mas isso é apenas um sinal dos fluxos da vida, porque nem tudo que planejamos dá certo, na nossa perspectiva, embora tudo esteja certo, numa perspectiva Maior. E a Chapada é tão generosa, nos apresenta tantas belezas e tantas sensações!

Pra finalizar o dia, já na cidade, tomamos sorvete de frutas do cerrado na Sorveteria Sabor Natural e compramos os doces caseiros de D. Elza. Quando for a Carolina, peça ao guia (ou vá por conta própria) pra conhecer esses dois lugares especiais, de contato com os sabores dessa região do Brasil.

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Dia seguinte, novos rumos. Dessa vez, fomos só nós e o guia Oziel e a programação incluía as Cachoeiras do Dodô e da Mansinha e o Portal da Chapada.

Pra começar, o guia queria nos levar pro Portal logo pela manhã. Eram cerca de 9h. E nós relutamos; pensamos na posição do sol, questionamos o horário, falamos das fotos que vimos, com o colorido do entardecer; o guia relutou, afirmando que as fotos eram do nascer do sol, porque não dava pra ver o pôr do sol do Portal… no final das contas, deixamos o Portal para o final do dia. E foi uma decisão mais que acertada. Quando for à Chapada das Mesas, peça pra ir (ou vá por conta própria) ao Portal no final da tarde. Pela manhã, as formações da Chapada, como o Morro do Chapéu, vão estar na contraluz, o que prejudicará as fotos. Além disso, você vai perder o colorido do entardecer nas rochas.

Primeiro, então, a Cachoeira do Dodô, que fica a cerca de 30 Km de asfalto, e mais um pequeno trecho de estrada de terra, a partir de Carolina. Em propriedade particular, cobra taxa para acesso. A cachoeira fica em uma área absolutamente sombreada e o leito do rio é de areia avermelhada; em alguns pontos, a água brota da areia… se pisar, dá sensação de areia movediça. Eu afundei até a cintura em um deles, embora tenha sido fácil sair; mas, por pouco, não molho a câmera. A cachoeira tem um belo poço pra banho.

Cachoeira do Dodô

Mas o banho que nos encantou mesmo foi o da pequena Cachoeira dos Namorados… pequenina, quase uma bica, dá pra ficar em baixo da sua quedinha por longos minutos, sentindo a massagem, ouvindo o barulho da água… e repetir esse ritual infinitas vezes, permitindo-se entrar em verdadeiro contato com a energia que vem da natureza…

Cachoeirinha dos Namorados

Depois de muito banho, especialmente na Cachoeirinha dos Namorados, fomos pro almoço, num local próximo dali, no Recanto das Famílias. A comida é boa e o local agradável. Tem um pequeno riacho que é represado pra formar uma piscina natural. Como todas as propriedades privadas, cobra pelo acesso; e, embora nosso pacote incluísse as entradas nos atrativos, essa nos foi cobrada à parte, ainda que não tenhamos usufruído do local, mas apenas o serviço do restaurante.

Um pequeno descanso e fomos para a propriedade da Cachoeira da Mansinha. Também em propriedade particular (cobra taxa). O acesso é por estrada de areia, que, embora não seja de longa distância, exige veículo com tração 4X4, não somente para a sede, mas também para a cachoeira.

Antes da Cachoeira da Mansinha, outras atrações a visitar. A propriedade é uma RPPN, muito preservada, onde é possível avistar muitos macacos. O proprietário construiu um pequena estrutura que chamou de “restaurante dos macacos”, onde eles aparecem após ouvirem o toque de um sino. Como não tínhamos comida, os macacos mal se deram ao trabalho de se aproximar.

Próximo à casa, dois poços para banho (que apelidamos de Poços do Cristal) oferecem uma hidromassagem natural, maravilhosa, com água mineral absolutamente transparente, vinda de uma nascente próxima. Um banho tão gostoso que quase não dá vontade de ir para a cachoeira! Banho tão bom que esquecemos de fazer fotos!

Mas o que é bom pode melhorar! E a Cachoeira da Mansinha é um exemplo disso. Já felizes com o banho nos poços, chegamos a ela, após a estradinha de areia (4×4) e uma pequena trilha. E nossa felicidade cresceu, porque ela tinha um banho também delicioso! Um pequeno poço, permitia ficar na água, deixando-se levar lentamente pela pequena correnteza… sem falar na queda d’água! E tudo em meio à mata preservada. Novamente, a vontade era de não sair dali. Felizmente, nosso guia era extremamente paciente e nos deu tempo suficiente para viver o lugar.

Cachoeira da Mansinha

Na saída, um tempinho pra observar as construções esotéricas do proprietário, que vão desde um círculo de cristais, relacionados aos signos do zodíaco, a uma cápsula do tempo… No mínimo, curioso!

E ainda tínhamos o Portal da Chapada. Então, rumo a ele…

O Portal da Chapada, visto da rodovia

O Portal da Chapada das Mesas é uma imensa abertura, naturalmente esculpida na rocha arenítica, e de onde se tem uma das mais belas vistas da região. Fica logo ao lado da rodovia, no caminho entre Carolina e as “cachoeiras do dia” (Dodô e Mansinha).

Para chegar até ele, é preciso fazer uma pequena trilha, quase toda em areia e com uma boa subida, num total de cerca de 500 m. Mas o esforço vale muito a pena!

De cima do Portal, é possível ver diversas outras formações, como os Pilares da Chapada e o Morro do Chapéu e a grandeza do cerrado descortinando-se à frente, com sua vegetação típica.

Pilares da Chapada
Morro do Chapéu, pela abertura do Portal

Subindo no final da tarde, o espetáculo é ainda mais especial, com o dourado do sol incidindo nos morros e nas rochas, dando-lhes uma coloração alaranjada, quase vermelha! Sem contar o colorido do céu! Muito, muito lindo!

Portal da Chapada
Entardecer colorido no Portal da Chapada

Mais um momento de contemplação, de gratidão à Natureza!

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O dia seguinte foi das Cachoeiras da Prata e São Romão. Fizemos o passeio em companhia de um viajante carioca e fomos conduzidos por Wellington, que nos guiou até o final de nossa estada na Chapada.

Para chegar às cachoeiras, é preciso percorrer 30 Km de asfalto e mais 53 km de estrada de terra e areia, que somente pode ser vencida com veículo 4X4, dentro da área do Parque Nacional da Chapada das Mesas. As cachoeiras ficam em área particular e também cobram pelo acesso.

No caminho, muitas porteiras, além de curiosas formações rochosas.

Formações rochosas, no caminho das cachoeiras

A primeira a ser visitada foi a Cachoeira de São Romão, acessível após uma pequena caminhada, de cerca de 300 m. Ela tem cerca de 25 m de queda, está localizada no Rio Farinha, um afluente do Rio Tocantins, e pode ser vista por cima e por baixo. Por baixo, numa pequena caminhada que inclui uma ponte pênsil, é possível chegar até bem perto da queda, quase por trás, o que dá uma visão muito interessante, especialmente pra fotos. Antes, era possível ir até a parte de trás da queda d’água; hoje, essa atividade é proibida, em respeito às andorinhas que, de forma incrível, fazem seus ninhos lá, atrás da cortina d’água. Pela força da queda, o banho fica difícil e reservado pra mais adiante, no próprio leito do Rio Farinha, com direito a muito spray!

Cachoeira São Romão, vista por cima e por baixo

 

Depois do banho, retornamos à sede da propriedade, onde almoçamos em um pequeno restaurante, do Sr. Jorge; tendo tempo, ainda, pra um tempo de descanso na rede…

Energias repostas, saímos em direção às Cachoeiras da Prata. Mais uma hora de estrada (de terra e areia) e estávamos lá.

No caminho, banho de rio…

As Cachoeiras da Prata são um conjunto de algumas quedas (que se juntam na época da cheia), que formam um cenário belíssimo. Não tomamos banho no local; o guia disse não ser seguro, por conta das pedras. Mas já estávamos satisfeitos em admirar toda aquela beleza, com direito, inclusive, a arco-íris!

A caminho das Cachoeiras da Prata
Cachoeiras da Prata

Felizes pelos momentos especiais de contato com a Natureza, retornamos a Carolina. Wellington, então, nos deixou à beira do Rio Tocantins, no restaurante Chega +, onde um pôr do sol incrível e o nascer da lua encerraram o dia!

Pôr do sol no Rio Tocantins
Ela, a Lua cheia

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Dia de conhecer o Complexo da Pedra Caída, que é o resultado da visão futurista de um empresário local, que, em meio ao cerrado, a cerca de 36 km de Carolina, decidiu aproveitar a bênção de ter diversas cachoeiras na sua propriedade e transformá-la em um complexo de lazer, um pequeno resort; que, ainda, pelo controle de acesso às cachoeiras, acaba por preservá-las. O cara é, além de muito rico e proprietário de diversas atividades na região (incluindo o transporte por balsas no Rio Tocantins e região), um visionário.

O Complexo tem diversas opções de hospedagem, piscinas, tirolesas, além (é claro!) de muitas cachoeiras, sendo que apenas algumas podem ser visitadas. Cobra R$60,00* pela entrada e mais um valor específico por cada cachoeira visitada (ou dupla delas; entre R$30,00 e R$50,00), ou atividade realizada.

O acesso às cachoeiras do Complexo Turístico de Pedra Caída pode ser feito com os guias do local. Nesse caso, o passeio é feito em horários determinados e com os grupos que se formam no local. A vantagem de ir com um guia próprio é poder gerenciar os horários e conseguir visitar as cachoeiras com maior tranquilidade. Também é recomendado fazer a visita ao complexo em dias de semana, pois que, nos finais de semana, eles recebem muitos ônibus de excursão. Aliando esses dois fatores, meio de semana e guia particular, conseguimos visitar as cachoeiras praticamente sozinhos, o que possibilita apreciar muito melhor a beleza, o silêncio, tudo que o lugar tem a oferecer.

Começamos subindo a Serra onde ficam a Pirâmide e a Capela (R$30,00 para subir a pé; R$60,00 de teleférico). A pé, o percurso é por passarelas de madeira. No alto da serra, foi construída uma imensa pirâmide de vidro, onde são oferecidas atividades como massagem; e também uma pequena capela. Como a subida é debaixo de sol, melhor fazer no início do passeio, pra não sofrer tanto com o calor.

Passarela pra subir a serra
Capelinha no alto da serra

Descendo do morro, fomos para maior atração do Complexo, a Cachoeira do Santuário. Depois de um pequeno deslocamento de carro, uma caminhada de cerca de 1000 metros, em passarela de madeira, leva à entrada do Cânion do Rio Pedra Caída. Lá, depois de nos deslumbrar com a imponência dos paredões de pedra, que chegam a 50 metros, começamos a caminhar por dentro do cânion, com água até a altura do joelho; e, depois de cerca de 50 metros, quando o cânion parece se fechar, o barulho da água denuncia que ela está perto.

Cânion do Santuário

Avançando um pouco mais, com água pela cintura (ou mais), descortina-se aos nossos olhos um salão de pedra, com paredes muito altas, em forma levemente piramidal e uma abertura superior, por onde escorre, magnífica, a Cachoeira do Santuário. São cerca de 46 metros de queda. A força da água forma um spray muito forte, que junto à pouca luz do local (é quase uma caverna) e ao tamanho da cachoeira, torna a atividade de fotografar praticamente impossível. Este é um daqueles locais que ficam gravados em nossas retinas e em nossas sensações, praticamente impossíveis de descrever ou capturar pelas lentes. Ficamos lá por um tempo, que não sabemos precisar quanto, com água pela cintura, tentando nos equilibrar com o balanço da água e enxergar em meio ao spray, em verdadeiro agradecimento pela oportunidade de contemplar mais este espetáculo da Natureza!

A abertura da Cachoeira do Santuário

Retornando do Santuário (é assim que o local é chamado… e é, mesmo, um santuário), almoçamos lá mesmo no Complexo.

Após de um pequeno descanso, saímos para as duas belezas da tarde: Cachoeiras da Caverna e do Capelão.

Mais um deslocamento de carro (asfalto – 30 km – e terra – 7 km) e chegamos à entrada da primeira delas, a Cachoeira da Caverna. Para alcançá-la, é preciso caminhar pelo pequeno cânion, no interior da caverna. Alguns morcegos nos fazem companhia. Ao final do cânion, um salão arredondado, com teto aberto, apresenta a cachoeira e seu poço. Imagens muito bonitas, não somente da cachoeira, mas também da caverna, com a luz da tarde entrando pela boca.

Caverna que leva à cachoeira
Cachoeira da Caverna

Depois de um banho gostoso, seguimos, ou melhor, voltamos (ela fica antes da Caverna) para a próxima, a Cachoeira do Capelão. O seu nome vem de uma espécie de macaco que era comum no local. Novamente, uma pequena caminhada pelo cânion, este mais aberto e com água bem rasa, nos leva à cachoeira, com um poço azulado maravilhoso, que nos espera para um banho revigorante.

Cânion que leva à cachoeira
Cachoeira do Capelão

Revigorados, voltamos a Carolina.

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Nesse dia, fizemos os passeios sozinhos, acompanhados apenas do guia.

A programação era de conhecermos, pela manhã, as Cachoeiras da Porteira e do Garrote, ambas no Complexo da Pedra Caída e termos a tarde livre. O guia, então, nos ofereceu de irmos conhecer a Cachoeira da Pedra Furada pela manhã, deixando a Porteira e Garrote para a tarde. Aceitamos.

O passeio à Cachoeira da Pedra Furada foi pago à parte (não estava incluído no nosso pacote) e fizemos com um guia do Complexo. Demos a sorte de estar em um grupo pequeno, de cerca de seis pessoas, e de ser um dia de semana, o que deu tranquilidade ao passeio.

Para chegar à Cachoeira da Pedra Furada é preciso uma caminhada de a 1.700 metros, feita em passarelas de madeira. No trajeto, passamos pela pequena Cachoeira da Lua. O caminho é feito parte a céu aberto e parte num pequeno cânion, acompanhando o curso do riacho.

Cachoeira da Lua

A cachoeira da Pedra Furada tem esse nome a água porque cai por dentro de um furo na pedra… detalhes da Natureza! O poço da cachoeira é um pouco fundo (não aconselhado para quem não sabe nadar), de água azulada e delicioso para banho. É preciso força para nadar e chegar à queda d’água. A despeito de termos ido com um pequeno grupo, os nossos companheiros resolveram antecipar o retorno e ficamos, então, um pouco mais, sozinhos com o guia, aproveitando a paz e a energia do lugar.

Cachoeira da Pedra Furada
A pedra furada por onde escorre a cachoeira

 De volta à sede do complexo, almoçar lá mesmo.

À tarde, agora acompanhados do guia da agência, fomos para as Cachoeiras da Porteira e do Garrote. Embora pertençam ao Complexo, elas ficam a cerca de 38 km de asfalto, mais 4 km de estrada de terra, a partir da sede. Esse é um passeio curioso. Primeiro porque o veículo chega até quase a margem da cachoeira, um verdadeiro “delivery”; segundo, porque o passeio inclui uma série de poços (Meirin, das Estrelas, da Juventude e Sonrisal), cada um com um banho mais maravilhoso que o outro…

Poço Merim
Poço das Estrelas
Poço da Juventude
Poço Sonrisal

As cachoeiras são relativamente parecidas, a do Garrote tem 4 m e a da Porteira tem 6 m, ambas tem ótimas piscinas para o banho e ficam próximas uma da outra; na caminhada entre elas, os poços. Perfeito!

Cachoeira do Garrote
Cachoeira da Porteira

Depois de toda essa reenergização, voltamos a Carolina.

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No dia seguinte, fizemos uma caminhada no Parque Nacional da Chapada das Mesas.

Pelo roteiro original, iríamos até a casa de um morador e, de lá, com o guia e o morador, caminharíamos cerca de 10 km, e depois retornaríamos essa mesma distância, pra pegar o veículo de volta. A travessia, entretanto, foi realizada da seguinte forma: o veículo da agência nos levou até a casa de um morador e de lá partimos, acompanhados apenas de uma outra pessoa, que já veio conosco no carro; o guia voltou com o carro, para nos esperar em um outro ponto do parque; e caminhamos por algumas horas, até chegar ao ponto em que o guia nos esperava.

O tour, portanto, foi menor que o previsto, cerca de oito a dez km (pois não tem a volta) e resumiu-se à caminhada, com uma pequena parada para banho, sem o acompanhamento do guia da agência.

Esse último fato foi importante, por duas razões. Primeiro, porque o senhor que nos acompanhou pode até conhecer muito aquele bioma, por já ter vivido ali, mas não tem preparo pra guiar turistas, tendo se limitado a mostrar o caminho; abrir a picada, quando necessário, com um facão; indicar algumas árvores, algumas pegadas de animais; mostrar os dois rios e algumas poucas curiosidades, como uma casa de abelhas diferente. Segundo, porque tivemos problemas com insetos (que grudaram nas nossas calças durante a travessia) e a falta de iniciativa dele, para ajudar ou, ao menos, indicar o que fazer, acabou sendo responsável por momentos de aflição e incômodo, pra resumir os fatos em dois adjetivos.

De alguma forma, a travessia no Parque foi parcialmente prejudicada. Isto que não nos impediu, porém, de ver a beleza do cerrado, do Rio Farinha e do Ribeirão Corrente, e de estar em contato com a natureza mais bruta. Não vimos animais e, pela época do ano, quase não havia frutas nativas. É um passeio que vale a pena, mas que pode ter suas condições melhoradas.

Rio Farinha

Flores no Parque Nacional da Chapada das Mesas
Formação Rochosa na margem do Rio Farinha
Ponto do Rio Farinha, onde havia uma ponte que ruiu com um carregamento de farinha, dando nome ao Rio

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→ Valores cobrados para as entradas, em junho de 2017, inclusive os mencionados no texto:

  • Encanto Azul – R$20,00
  • Complexo Santa Bárbara – R$40,00
  • Recanto das Famílias – acesso R$5,00
  • Cachoeira de São Romão – R$10,00

→ As demais atrações mencionadas, em propriedades particulares, cobram pelo acesso. Nosso pacote incluía os valores das entradas, de forma que não nos informamos sobre o quanto é cobrado em cada uma.

→ Todos os valores citados no post foram de junho de 2017.

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Comer em Carolina

As opções de refeição na região são, basicamente, de comida caseira, que ofertam peixe frito, carne do sol e galinha caipira.

Em muitos dias, o passeio ocupa todo o dia, de forma que almoçamos em algum dos atrativos. O cardápio, em geral, é o mesmo; com exceção dos Complexos de Santa Bárbara e Pedra Caída, que tem mais opções.

Os preços, em geral, são muito acessíveis, por volta de R$60,00 a refeição pra duas pessoas. Na Cachoeira de São Romão, pagamos R$55,00 pela galinha caipira ensopada, com acompanhamentos, para três pessoas!

Em frente a Pousada do Lajes, o restaurante Rio Lajes, de propriedade do Sr. Queiroz, tem essas mesmas opções; e cobra R$25,00, por pessoa, para uma refeição generosa.

Na cidade de Carolina, o Restaurante Mocotozin é uma boa opção; no dia em que estivemos lá, estava no sistema self service com balança. À noite, a “praça de alimentação” tem algumas opções, entre pizza, carne do sol com macaxeira e sanduíches. Tem, ainda, a nossa opção preferida: o crepe da Tribo do Crepe, com massinha tipo bricelet e recheio generoso (o de carne do sol com banana é especial!).

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Importante:

  • A maior parte das cachoeiras fica em área sombreada, o que é um conforto no calorão da região. Isso não significa, porém, que se deve descuidar: protetor solar, blusas e chapéus são recomendados.
  • Por estarem em área com vegetação, muitas vezes nativa, é recomendado usar repelente também.
  • Usar calçado tipo papete ajuda, pois permite entrar com ele na água e depois prosseguir nas pequenas caminhadas. Algumas cachoeiras e poços tem fundo de pedra, que pode machucar os pés sem proteção. Calçados de neoprene também são uma opção. Apenas para a subida do Portal da Chapada e para eventual caminhada no Parque é que se recomenda bota, ou outro calçado fechado.

 

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Chapada das Mesas

Vá, se você…

  • gosta de natureza mais original;
  • gosta de cachoeira;
  • não faz questão de infraestrutura, como bons restaurantes ou hotéis

Não vá, se você…

  • não suporta caminhada no mato
  • não gosta de lugares mais rústicos
  • faz questão de bons restaurantes e hospedagem em bons hotéis

Pra saber como chegar à Chapada das Mesas, visite o post CAROLINA-MA – COMO CHEGAR À CHAPADA DAS MESAS.


Este não é um post patrocinado. E fica novamente a dica: O espírito do blog é de narrar histórias e experiências, de forma que esse escrito reflete unicamente a opinião dos autores.

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